Prisioneiros da motivação e admiradores da disciplina

Já faz algum tempo que me rendi a uma conclusão simples, nós somos inteiramente responsáveis pelo nosso sucesso, não existe e nem vai existir qualquer fator externo que possa determinar o nível de evolução que você vai ter em sua vida e nem o caminho que vai seguir.

Calma. Eu sei que quando se faz uma afirmação desta, geralmente a nossa mente pode achar milhões de desculpas ligadas ao seu passado, seja usando sua família, local onde nasceu, condição financeira dos pais, falta dos pais, economia do seu país, empresa no qual você era funcionário, religião… e por aí vai.

Você tem razão, seu passado vai determinar seu futuro e todas estas desculpas fazem sentido se acreditar nelas, porém, existe outro lado que também é tão verdadeiro e possível quanto, você tem o poder de mudar sua história, desenhar um novo futuro, pois destino é um mero resultado de suas crenças e ações do presente, assim como você pode escolher se levantar e buscar uma comida ou ficar no sofá sentado, você escolhe, você determina.

Três frases que gosto muito:

“Um sinal de sabedoria e maturidade é quando você aceita e acredita na percepção de que suas decisões causam suas recompensas e consequências. Você é responsável por sua vida, e seu sucesso final depende das escolhas que você faz.” Denis Waitley

“Como se pode constatar, nunca é o ambiente; nunca são os eventos de nossas vidas, mas sim o significado que atribuímos aos eventos – como nós os interpretamos – o que molda quem somos hoje, e o que nos tornaremos amanhã.” Tony Robbins

O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.” Mahatma Gandhi

Eu adotei a filosofia do foco total nas ações do presente para mudar o futuro, como “o agora” é algo em que posso fazer escolhas e tomar decisões, dedico minha energia e tempo a ele, parei de ficar procurando álibis no passado ou sofrendo de angústia pelo futuro. Posso até separar tempo para reavaliar minhas ações anteriores e algum outro tempo para planejar meu futuro, mas logo após definido, volto ao que realmente importa e existe, o agora.

Com esta prática me interessei bastante por estudar três assuntos: hábito, motivação e disciplina. E com isso gostaria de compartilhar alguns pensamentos e conclusões.

Somos prisioneiros da motivação

Vários ensinamentos diferentes da psicologia carregam um senso comum de que motivação é um estado ou condição interna que serve para ativar, energizar e dar direção ao comportamento.

Existem vários conceitos acadêmicos por trás disso, porém meu objetivo aqui é apenas descrever o que eu acredito e que tenho vivido.

Refletindo um pouco sobre isso percebi que temos uma tendência natural ou até cultural que nos leva sempre a DEPENDER da motivação para fazer algo, motivação para continuar fazendo e mantemos o foco ali, sempre esperando uma motivação, e se não a tem ou se a perdemos, paramos.

A verdade é que não deveríamos depender da motivação para realizar projetos, sejam eles pessoais ou profissionais, isso porque a motivação tem uma relação de causa-efeito com suas emoções.

Alguns teóricos como Thayer, Newman and McClain explicam que a motivação e emoção tem relação direta no sentido de recompensa, ou seja, temos motivação em fazer aquilo que nos gera bons sentimentos como: felicidade e satisfação e ficamos desmotivados por ações que nos geram emoções negativas.

Sendo assim, fica mais fácil de compreender porque a motivação vai embora quando tentamos alcançar novos desafios, sejam intelectuais, físicos ou sentimentais. Isso porque qualquer ação que não seja um hábito e requer novo nível de esforço vai gerar um certo grau de sofrimento, uma “dor” temporária, o que enfraquece a motivação e aperta o gatilho das desculpas, e que nada mais é do que seu cérebro tentando te proteger do sofrimento.

A chave para libertação

Existem duas chaves que precisam ser utilizadas em conjunto para te libertar: o hábito e a disciplina.

“Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito.” Aristoteles

O hábito é um comportamento repetitivo aprendido (não nato) que requer pouco ou nenhum pensamento. Alguns exemplos simples são: escovar os dentes e andar, ambos você não precisa fazer nenhum esforço para executar, pois já os tem pré-gravado em sua mente como fazê-los e seu cérebro apenas aperta o play. Detalhe importante, você não nasceu sabendo nenhum deles, alguém teve que lhe ensinar, precisou de dedicação da sua parte, principalmente no ato de andar, incluindo vários tombos.

Qualquer comportamento que você queira executar com consistência deve se tornar um hábito, e assim como aprender a “andar” vai requerer energia, dedicação, tempo, um certo grau de sofrimento e uns bons tombos. Mas quando assimilado pela mente, se torna algo fácil.

O hábito é construído pela disciplina, e geralmente leva no mínimo 60 dias com repetições diárias para ser definido e salvo na “gaveta de hábitos” do nosso cérebro e mais alguns dias para ser consolidado.

“Suas crenças se tornam seus pensamentos,
pensamentos se tornam palavras,
palavras se tornam ações,
ações se tornam hábitos,
hábitos se tornam valores,
valores se tornam seu destino.”
Mahatma Gandhi

Motivação vencida pelo hábito da disciplina

A própria disciplina é algo que não se pratica com frequência e se torna um gigante a ser vencido, foi e é assim no meu caso.

Isso começa com coisas simples em casa, a disciplina de deixar o quarto organizado, disciplina de guardar suas coisas no lugar certo, disciplina de devolver as coisas onde pegou… ixi, dá pra lembrar da nossa mãe mandando em nós quando éramos pequenos neh? Pois bem, crianças que obedeciam e executavam essas ordens tem maior tendência a dominarem a disciplina quando adultos e a concluírem tudo que começam, pois formaram em suas mentes o hábito da disciplina e para elas é mais fácil ser disciplinado.

Mas não se entristeça caso não o fazia, eu não era muito de fazer também, a formação do hábito não tem idade, você pode formar novos hábitos e eliminar velhos até o último dia quando morrer de velhice. (Graças à Deus)

Podemos utilizar as motivações como um gatilho, como a definição do “por que” faço ou vou fazer algo, e não para que faço. Temos que criar o hábito de agir e de DEPENDER da disciplina para começar, executar e concluir qualquer projeto em sua vida, pois a disciplina é 100% racional, não sofre de causa-efeito com suas emoções e te gera uma grandiosa independência e maturidade de realizar coisas.

Até porque você não vive feliz o tempo todo certo? E se não está feliz, com certeza não vai estar motivado. Mas se é disciplinado, faz porque tem que ser feito, porque é um hábito natural da sua vida, estando motivado ou não, faz as coisas acontecerem.

E de fato, a motivação ela vem e vai quando se chega mais perto de alcançar os objetivos que por meio da disciplina você está realizando, ao final, ao concluir, vai se sentir motivado. Em outra perspectiva, quer ser uma pessoa mais motivada? Seja disciplinado.

Pontos importantes para refletir

Qualquer área da sua vida que você queira gerar mudança comece avaliando qual seu hábito.

Um exemplo, você é uma pessoa negativa? Existe uma grande chance de por alguma circunstancia, ou dezenas de fatores, seu cérebro assimilou por repetição que a negatividade é um padrão de pensamento desejado e fica apertando o play toda vez que você pensa em realizar algo.

Até a tristeza tem relação com seus hábitos, você pode ter criado o hábito de se comparar inferior a outros ou o hábito de pensar em frustração, claro que isso foi construído por ações/acontecimentos repetitivos, mas também não quer dizer que não possa ser redefinido.

Toda vez que pensar em gerar mudança, saiba que a ordem correta das coisas é: agir com disciplina, que gera o hábito e atrai a motivação, e não esperar a motivação, gerar hábito e terminar com disciplina como comumente é acreditado.

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2 Comentários
    • Bruno Bueno

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